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FormaçãoRobson Martins • 20 de outubro de 2026

Sistema 10-20 na polissonografia: como medir e posicionar os eletrodos

O sistema 10-20 é o método internacional usado para posicionar os eletrodos do eletroencefalograma na polissonografia: a cabeça é medida a partir de quatro pontos anatômicos fixos e os eletrodos são colocados em intervalos de 10% e 20% dessas distâncias. Por usar proporções e não centímetros fixos, ele funciona em qualquer tamanho de cabeça e permite que exames feitos em lugares diferentes sejam comparáveis.

Para o técnico em polissonografia, dominar o sistema 10-20 é a base de uma boa montagem. Eletrodo fora do lugar muda a leitura do sinal e pode comprometer o estagiamento do sono.

Os quatro pontos de referência

Toda a medição parte de quatro marcos anatômicos:

  • Násio: a depressão entre a testa e o nariz, na altura dos olhos.
  • Ínio: a saliência óssea na parte de trás da cabeça, na base do crânio.
  • Pontos pré-auriculares direito e esquerdo: a depressão logo à frente do trago de cada orelha.

A letra de cada posição indica a região: F para frontal, C para central, O para occipital e M para mastoide. Números ímpares ficam do lado esquerdo, números pares do lado direito, e a letra z marca a linha média.

Como medir pelo sistema 10-20, passo a passo

  1. Meça a distância do násio ao ínio passando pelo alto da cabeça. Marque o ponto médio: é o Cz provisório.
  2. Meça de um ponto pré-auricular ao outro, passando pelo alto da cabeça. O ponto médio dessa linha, cruzado com o anterior, confirma o Cz.
  3. Na linha násio-ínio, marque 10% da medida acima do násio (Fpz) e 10% acima do ínio (Oz).
  4. Na linha entre as orelhas, marque 10% acima de cada ponto pré-auricular (T3 e T4, também chamados T7 e T8) e, mais 20% adiante em direção ao alto da cabeça, C3 e C4.
  5. Meça a circunferência da cabeça passando por Fpz e Oz. A partir dela se localizam os pontos frontais e occipitais laterais, como F3, F4, O1 e O2.
  6. Confira a simetria entre os dois lados antes de fixar qualquer eletrodo.
Marque todos os pontos antes de colar o primeiro eletrodo. Corrigir uma medida depois que a pasta e a fita estão no lugar custa tempo e conforto do paciente.
Mesa de estudo organizada com livros técnicos, marca-textos e luminária acesa
A medição se aprende na teoria e se fixa na prática supervisionada.

Derivações recomendadas pela AASM

O manual de estagiamento da Academia Americana de Medicina do Sono recomenda três derivações de EEG, sempre referenciadas à mastoide do lado oposto:

  • F4-M1, frontal, onde as ondas lentas do sono profundo e os complexos K aparecem melhor.
  • C4-M1, central, onde os fusos do sono são mais evidentes.
  • O2-M1, occipital, onde o ritmo alfa da vigília de olhos fechados é mais claro.

Os eletrodos do lado esquerdo, F3, C3, O1 e M2, ficam montados como reserva. Se um eletrodo principal falhar durante a noite, o técnico troca a derivação sem precisar entrar no quarto.

Eletrodos dos olhos e do queixo

Eletro-oculograma (EOG)

Pela recomendação da AASM, o E1 fica 1 cm abaixo do canto externo do olho esquerdo e o E2, 1 cm acima do canto externo do olho direito, ambos referenciados ao M2. Essa assimetria proposital faz o movimento dos olhos aparecer em fase oposta nos dois canais, o que ajuda a reconhecer o sono REM.

Eletromiografia do mento

São três eletrodos no queixo: um na linha média, logo acima da borda da mandíbula, e dois abaixo dela, um de cada lado. O registro usa dois e o terceiro fica de reserva. A queda do tônus muscular do queixo é um dos sinais que definem o sono REM.

Os erros de montagem mais comuns

  • Medir uma vez só. Cabeça não é simétrica: conferir as duas linhas evita deslocar a montagem inteira.
  • Preparar mal a pele. Oleosidade e resíduo de produto aumentam a impedância e trazem ruído.
  • Não checar a impedância antes de apagar a luz. O ideal é ter valores baixos e parecidos entre os eletrodos.
  • Fixação frouxa. Eletrodo que se mexe gera artefato a cada virada do paciente na cama.
  • Esquecer os eletrodos de reserva. Sem eles, um eletrodo que solta às três da manhã pode custar a noite.

Como aprender a montagem na prática

A teoria do sistema 10-20 cabe em uma página. A precisão e a velocidade vêm da repetição supervisionada, em pacientes reais, com alguém experiente corrigindo os detalhes. É o que define a rotina descrita em o que faz um técnico em polissonografia.

O curso técnico em polissonografia da Sono Brasil Consultoria ensina o preparo do paciente segundo as recomendações da AASM e inclui plantões práticos em um serviço diagnóstico especializado. Veja todos os cursos ou fale com a equipe pela página de contato.

Perguntas frequentes

O que significa 10-20 no sistema de eletrodos?+

Os números indicam as distâncias entre os eletrodos: 10% ou 20% da medida total da cabeça entre os pontos de referência. Por ser proporcional, o sistema se adapta a qualquer tamanho de cabeça.

Quais derivações de EEG são usadas na polissonografia?+

A Academia Americana de Medicina do Sono recomenda F4-M1, C4-M1 e O2-M1, com F3-M2, C3-M2 e O1-M2 montadas como reserva.

Por que os eletrodos dos olhos ficam em alturas diferentes?+

Um fica abaixo do olho esquerdo e o outro acima do olho direito para que o movimento dos olhos apareça em fase oposta nos dois canais. Isso facilita reconhecer o sono REM e distinguir movimento ocular de artefato.

Quantos eletrodos vão no queixo?+

Três: um acima da borda da mandíbula e dois abaixo dela. Dois são usados no registro e o terceiro fica de reserva.

O que fazer se um eletrodo soltar durante a noite?+

Primeiro, trocar para a derivação de reserva pelo software, sem acordar o paciente. Se não houver reserva ou o sinal seguir ruim, o técnico entra no quarto e refaz a fixação com o mínimo de interrupção.

Dá para aprender o sistema 10-20 só com aula teórica?+

A teoria explica o método, mas a precisão vem da prática supervisionada. Por isso cursos de formação incluem plantões em serviços de polissonografia.

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